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  • 09
  • MAR
  • 2017

8 DE MARÇO | CARAVANA FEMINISTA DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES – MMM.

“ONDE MUITOS CHAMAM DE LIXO A GENTE CHAMA DE RECICLAGEM...” - A compostagem como ferramenta de autonomia para as mulheres urbanas.

A inspiração para realizar a Caravana Feminista veio das Caravanas Agroecológicas vivenciadas, principalmente, pelas mulheres rurais nas ações de mobilização e visibilidades das experiências agroecológicas acompanhadas pela Articulação Nacional de Agroecologia no Brasil. Desta maneira, nada mais seria justo do que iniciar o dia de luta com a visita à experiência agroecológica, protagonizada pelas mulheres com atuação na Agricultura Urbana.

A compostagem é uma técnica desenvolvida pelas moradoras do Residencial Campinas, no município de Macaíba-RN, através do projeto de reaplicação de Tecnologia Social (TS) apoiada pela Fundação Banco do Brasil – FBB. A Tecnologia Social, da Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana – Revolução dos Baldinhos, foi idealizada pelo Centro de Promoção de Agricultura de Grupo – CEPAGRO junto aos/as moradores/as do Bairro de Monte Cristo em Florianópolis/SC. Há pouco mais de oito anos. E está sendo acompanhada em Macaíba/RN pela Associação de Apoio as Comunidades do Campo do RN - AACC/RN.

No residencial Campinas, as mulheres tem protagonizado essa gestão comunitária desde dezembro de 2016, se apropriando rapidamente do processo de maturação técnica da leira de compostagem, através do desejo de desenvolver ação na agricultura urbana para plantação de alimentos e jardinagens.

A prática da compostagem é um sistema simples, formando camadas alternadas entre resíduo orgânico e material seco (nitrogênio e carbono), onde a leira não é revolvida, apenas nas partes superficiais. Os materiais utilizados, além do resíduo orgânico da cozinha, são: folhas secas, serragem, capim, e, quando necessário, areia preta. A temperatura é elevada, chegando até 65°c,  realizando a produção de gás carbônico e água e não gases, prejudiciais a saúde do planeta e das pessoas. O composto orgânico é o seu produto final, conquistado através da facilidade do manejo e do acesso ao material necessário, permitindo a comunidade se apropriar do conhecimento da gestão comunitária e da agricultura urbana.

O reconhecimento da compostagem, como ferramenta de empoderamento das mulheres do Grupo Comunitário, pela Caravana Feminista deu visibilidade a mudança de olhar das mulheres composteiras para os resíduos orgânicos gerados na cozinha. Conforme declara a moradora Jacira de Souza, durante a roda de conversa “Quem foi para a visita viu que é uma leira que não tem cheiro... é um adubo que ninguém dá nada por ele, joga fora, mas para a gente ele é rico, porque sabemos trabalhar com ele. E da forma que a gente trabalha com ele podemos trabalhar sim com a sobra de gente. Onde muitos chamam de lixo a gente chama de reciclagem! Então, vocês vão ver que esse trabalho que a gente faz , se fizerem mesmo no seu quintal vão ver que tanto as flores, quanto as fruteiras de vocês vão dá fruto de boa qualidade!”, conta.

Esta técnica de compostagem é conhecida, cientificamente, como “método UFSC de Leira Estática com Aeração Passiva” (Miller, 2009), com origem na Índia há 2.000. E desenvolvida no Brasil no pátio de compostagem da UFSC/SC.

Foi rico o intercâmbio de conhecimentos entre as mulheres de diferentes idades e contextos sociais. Para Brisa Bracci, militante da MMM e técnica em Controle Ambiental pelo IFRN: “a gente nunca tinha saído a campo pra conhecer a compostagem como a gente teve a oportunidade de conhecer hoje. Então, pra mim valeu por todo o tempo que estudei na sala de aula. E conhecer na prática, não só o lado técnico de como fazer a compostagem, mas o que significa a compostagem na vida das mulheres. Porque quando fui lá e tirei a dúvida sobre quando sair o adubo para onde vai, se vocês vão usar ou vender?! Daí comecei a compreender como aquela compostagem também significa independência e uma ferramenta de autonomia pra vida das mulheres do residencial. Foi, realmente, uma experiência incrível...vocês me ensinaram tanto quanto muitos professores formados que me deram aulas. E olhe aí, se não me ensinaram mais...”, revela.

A compostagem Feminista foi tema da primeira rota da Caravana Feminista realizada pelas militantes da Marcha Mundial das Mulheres em Natal-RN, neste 8 de março de 2017, que reuniu por volta de setenta mulheres. A rota seguinte percorrida foi em Pium, no município de Parnamirim-RN, onde as mulheres atuantes na Economia Solidária já aguardavam para um ato de batucada feminista na Feirinha da comunidade. Outro ponto foi a Vila de Ponta Negra, comunidade praieira urbana de Natal onde as mulheres da Caravana se juntaram ao grupo de mulheres “Feito na Vila” para a roda de conversa temática.

A Caravana Feminista da MMM reuniu mulheres urbanas e periurbanas nas rodas de conversas sobre feminismo, contextualizando o surgimento do 8 de março; a importância da auto-organização das mulheres para a superação das desigualdades sociais, reconhecendo o papel da Economia Solidária na autonomia econômica das mulheres; o impactos da reforma da previdência na vida das mulheres, localizando o contexto político nacional e apontando a necessária reflexão sobre a divisão sexual do trabalho, e, garantiu este intercâmbio para visita à experiência agroecológica de Agricultura Urbana, protagonizada pelas mulheres periurbanas.

O percurso da Caravana Feminista foi finalizado no centro da capital do estado, onde as mulheres da Caravana se juntaram a demais mulheres para o grande Ato Público: “Mulheres Contra a Reforma da Previdência”. Punharam suas bandeiras e disseram juntas: “#AposentadoraFicaTemerSai”!!! 

 

Texto: Janaina Henrique, coordenadora do Projeto MUTS pela AACC/RN e militante da MMM. 

 Fotos: Isadora Mendes, militante da MMM.

 

 

 

Fonte:AACC/RN
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